Estudo revela desafios enfrentados pelas organizações e aponta caminhos para o fortalecimento do Terceiro Setor no pós-crise
A pandemia da COVID-19 representou uma crise sem precedentes para a sociedade e expôs, de forma ainda mais intensa, a importância das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) na resposta às emergências sociais. Ao mesmo tempo em que a demanda por serviços aumentou, muitas organizações passaram a enfrentar restrições financeiras, operacionais e humanas.
Essas questões são analisadas no estudo “Impacto da COVID-19 nas OSCs brasileiras: da resposta imediata à resiliência”, que reúne dados e reflexões sobre como o Terceiro Setor reagiu à crise, quais foram os impactos imediatos e quais caminhos se desenham para a construção de maior resiliência no futuro.
Um retrato amplo das OSCs no contexto da pandemia
O estudo contou com 1.760 respostas válidas, coletadas entre maio de 2020, representando organizações de todas as regiões do Brasil. Os dados revelam que grande parte das OSCs já atuava em contextos de vulnerabilidade antes da pandemia, com 33% tendo a Assistência Social como principal área de atuação e 42% operando com orçamentos anuais de até R$ 100 mil ou sem previsão orçamentária formal.
Esse cenário ajuda a compreender por que os efeitos da COVID-19 foram tão significativos para o setor.
Impactos imediatos: desafios e adaptações
De acordo com o levantamento:
- 73% das OSCs afirmaram que a pandemia as impactou negativamente, enfraquecendo suas atividades total ou parcialmente
- 87% tiveram atividades interrompidas ou suspensas, total ou parcialmente
- 73% relataram diminuição na captação de recursos
- 55% enfrentaram dificuldades de comunicação com os públicos atendidos
- 40% apontaram sobrecarga e estresse das equipes
Apesar dos desafios, o estudo também identificou impactos positivos, como a aceleração do uso de ferramentas digitais (53%) e o maior engajamento das equipes (40%), evidenciando a capacidade de adaptação das organizações.
Captação de recursos e sustentabilidade financeira
A sustentabilidade financeira surgiu como uma das maiores preocupações do período. O estudo mostra que:
- 65% das OSCs previam redução na captação de recursos
- 20% já estavam sem recursos financeiros para manter suas atividades
- 49% tinham recursos para operar por até três meses ou menos
Ainda assim, apenas 6% indicaram a possibilidade de encerrar suas atividades até o fim de 2020, demonstrando a resiliência e o compromisso das OSCs com suas missões.
Olhando para o futuro: resiliência e colaboração
Mesmo diante das incertezas, o estudo aponta sinais de otimismo cauteloso:
- 58% das OSCs esperavam aumento da demanda por seus serviços no pós-pandemia
- 69% indicaram a necessidade de recursos para manter custos operacionais
- 46% destacaram a importância do maior engajamento da sociedade civil
Os dados reforçam que o fortalecimento do Terceiro Setor passa por financiamento mais flexível, investimento em capacidades institucionais, colaboração em rede e inovação, aspectos que dialogam diretamente com a atuação do Instituto Sabin no apoio a organizações e ecossistemas de impacto social.
O papel do conhecimento para fortalecer o Terceiro Setor
Ao apoiar e difundir estudos como este, o Instituto Sabin reafirma seu compromisso com a produção e disseminação de conhecimento qualificado, essencial para orientar decisões estratégicas, fortalecer organizações da sociedade civil e ampliar o impacto social no Brasil.
Compreender os efeitos da pandemia e aprender com esse período é fundamental para construir organizações mais resilientes, preparadas para crises futuras e capazes de continuar promovendo cuidado, dignidade e transformação social.
👉 Acesse o estudo “Impacto da COVID-19 nas OSCs brasileiras: da resposta imediata à resiliência” e conheça os dados que ajudam a repensar o futuro do Terceiro Setor.



