Estudo apoiado pelo Instituto Sabin analisa desafios, oportunidades e caminhos para negócios de impacto e intermediários em contextos de crise
A pandemia da Covid-19 escancarou desafios sociais, econômicos e estruturais em todo o mundo. No campo dos negócios de impacto social e dos intermediários do ecossistema, esses desafios se traduziram em queda de receitas, interrupção de atividades e redirecionamento de recursos para ações emergenciais. Ao mesmo tempo, o período também abriu espaço para inovação, colaboração e novas formas de atuação.
É nesse contexto que se insere o estudo “Cenários e Tendências sobre o campo de negócios de impacto e intermediários frente à Covid-19”, elaborado no âmbito da Rede Temática de Investimentos e Negócios de Impacto do GIFE, com patrocínio do Instituto Sabin, em parceria com outras organizações do ecossistema.
Um espaço de diálogo entre filantropia, ISP e negócios de impacto
A Rede Temática foi criada com o propósito de ser um espaço aberto de diálogo e reflexão, reunindo institutos, fundações, empresas e atores do ecossistema de investimentos e negócios de impacto. Seu objetivo é ampliar a compreensão sobre as oportunidades e os desafios na confluência entre a filantropia, o Investimento Social Privado (ISP) e os negócios de impacto, especialmente em momentos de crise sistêmica como a pandemia.
Desde sua criação, a Rede Temática vem se consolidando como uma porta de entrada para institutos e fundações que desejam compreender e atuar de forma mais estratégica no campo dos negócios de impacto, fortalecendo conexões e fomentando a inteligência coletiva.
Metodologia e escopo do estudo
O relatório apresenta uma visão macro e sistêmica do ecossistema de negócios de impacto social (NIS) e intermediários no contexto da Covid-19, combinando:
- Revisão de 296 iniciativas mapeadas no início da pandemia
- Análise aprofundada de 106 iniciativas relacionadas a NIS e intermediários
- Consultas com 28 atores do ecossistema, entre investidores, intermediários, empreendedores e especialistas
- Identificação de 21 achados (findings) organizados por macrotemas
Esse processo permitiu compreender impactos imediatos, tendências emergentes e possíveis caminhos de médio e longo prazo para o campo.
Principais cenários e tendências identificados
Entre os principais achados do estudo, destacam-se:
- Curto prazo pessimista, marcado por forte impacto negativo sobre negócios de impacto e intermediários, com queda de receitas, congelamento de investimentos e interrupção de atividades
- Médio prazo de transição, com desafios de readequação, mas sinais de retomada gradual e surgimento de novas oportunidades
- Longo prazo tendendo ao otimismo, com os negócios de impacto ocupando posição mais central na reconstrução econômica e no cumprimento da Agenda 2030 dos ODS
O estudo também evidencia que startups de saúde e tecnologia, plataformas digitais e negócios com maior capacidade de adaptação tiveram melhores condições de atravessar o período crítico.
O papel estratégico dos intermediários e do capital filantrópico
Um dos pontos centrais do relatório é o reconhecimento da importância dos intermediários do ecossistema, como aceleradoras, incubadoras, fundos e organizações dinamizadoras. Apesar de essenciais para conectar empreendedores, investidores e políticas públicas, esses atores foram pouco contemplados por recursos financeiros específicos durante a pandemia.
O estudo aponta ainda a necessidade de capital filantrópico mais flexível e paciente, capaz de apoiar tanto ações emergenciais quanto o fortalecimento institucional de negócios de impacto e intermediários, evitando a perda de capacidades construídas ao longo dos últimos anos.
Produção de conhecimento como estratégia de impacto
Ao apoiar e participar da construção deste estudo, o Instituto Sabin reafirma seu compromisso com a produção e difusão de conhecimento qualificado, entendendo que dados, análises e reflexões estratégicas são fundamentais para orientar decisões mais eficazes no campo do impacto social.
A publicação convida institutos, fundações, empresas e demais atores do ecossistema a agir de forma colaborativa, fortalecer redes e investir em soluções estruturantes que contribuam para uma retomada econômica mais justa, inclusiva e sustentável.
👉 Acesse o estudo completo “Cenários e Tendências sobre o campo de negócios de impacto e intermediários frente à Covid-19” e conheça os aprendizados que podem orientar o futuro do ecossistema de impacto no Brasil.



