TRABALHO

Nos EUA, a The Body Shop anunciou recentemente importantes mudanças que estão sendo feitas em suas políticas de contratações de novos funcionários. Conhecida como “open hiring” (ou “contratação aberta”), essa nova abordagem funciona da seguinte forma: Quando uma vaga de emprego for aberta, praticamente qualquer pessoa que se aplique e atenda a requisitos muito básicos poderá ser contratada, por ordem de chegada. Ou seja, a primeira pessoa que se candidatar a uma vaga na empresa tem grandes chances de conseguir o emprego. Isso acontece pois a contratação aberta não confere os antecedentes criminais do candidato, nem exige um exame toxicológico — o que, muitas vezes, pode ser um impeditivo para ex-detentos e até mesmo usuários de maconha, por exemplo (inclusive em estados onde é permitido o uso recreativo da droga).

A The Body Shop vem testando essa nova prática em seu centro de distribuição na Carolina do Norte (EUA), desde o fim de 2019. Para isso, a empresa tem contado com a expertise da Greyston Bakery, uma empresa de impacto social, que fabrica produtos para marcas como Whole Foods e Ben & Jerry’s, e tem a contratação aberta como uma das partes mais importantes do negócio. O sistema funciona bem o suficiente para que a empresa, que faturou U $ 22 milhões em 2019. Em 2018, a Greyston Bakery criou o Center for Open Hiring, uma organização sem fins lucrativos que visa espalhar essa ideia e ajudar outras empresas na implementação desse mesmo processo.

“Para conseguir um emprego, você precisa responder a apenas três perguntas”, diz Andrea Blieden, gerente geral da The Body Shop dos EUA. “São elas: você está autorizado a trabalhar nos EUA? Você consegue trabalhar em um turno de oito horas? Você pode levantar mais do que 22kg? Se essas três perguntas forem respondidas positivamente, nós te daremos a chance de vir trabalhar em nosso centro de distribuição.”

Para atender à demanda das vendas realizadas durante as festas de fim de ano, o centro de distribuição da The Body Shop contrata mais 200 funcionários temporários. Esse foi o período escolhido pela empresa para a realização do teste. E os resultados foram impressionantes. A rotatividade mensal de funcionários no centro de distribuição caiu 60%.

Em 2018, o centro de distribuição da The Body Shop registrou taxas de turnover de 38% em novembro e 43% em dezembro. Em 2019, após a implementação da contratação aberta, esse índice caiu para 14% em novembro e 16% em dezembro. A produtividade também aumentou – provavelmente não apenas devido à mudança de equipe, mas também porque os processos internos e a equipe estavam melhorando. Para Mike Brady, CEO da Greyston Bakery, isso é uma demonstração de que existem preconceitos nos sistemas de recrutamentos tradicionais que podem impedir que bons profissionais façam parte da força de trabalho de uma empresa.

Na The Body Shop, os custos economizados em recrutamento, triagem de currículos, entrevistas e verificação de antecedentes serão redirecionados para treinamento e outros benefícios para os funcionários. A empresa pretende expandir a prática para todas as suas lojas durante o primeiro semestre de 2020. O projeto não se trata de um piloto, mas sim de uma mudança permanente na forma como os novos funcionários da empresa serão contratados.

“A The Body Shop agiu com urgência porque viu a necessidade”, diz Mike Brady. “E espero que outras empresas conheçam esse modelo e possam aprender com o exemplo da The Body Shop, agindo com o mesmo nível de urgência, porque nossa comunidade precisa mudar. E as empresas precisam adotar novos modelos de negócios que funcionem para todos.”

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Créditos: Imagem Destaque – Roman Samborskyi / Shutterstock

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