SAÚDE

A resposta para a pergunta do título é bem simples; sim, a tecnologia está preparada para criar várias soluções que podem nos ajudar na luta contra o Covid-19. De máscaras impressas em 3D a supercomputadores que fazem análises de compostos, a nossa tecnologia atual tem vários pontos positivos na luta contra pandemias.

Na PUC-Rio, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) estão sendo produzidas máscaras FaceShield em impressoras 3D que serão distribuídas para diversos profissionais de saúde pelo país. Além disso, o arquivo 3D foi disponibilizado gratuitamente para que outras pessoas possam produzir o equipamento de segurança. Segundo o Jornal Nacional (JN), “a ideia nasceu no fim da semana passada. Em apenas quatro dias, já são 75 pessoas participando dessa rede colaborativa. E elas colocaram mais de cem impressoras 3D para trabalhar por esse projeto. E essas máquinas estão produzindo, em média, 200 protetores faciais por dia.”

De acordo com Alberto Chebabo, diretor-médico do Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em declaração ao JN, “as doações já estão em uso. O infectologista lembra que a produção desses equipamentos segue especificações técnicas e é acompanhada por especialistas: ‘Esse protetor facial protege, dá uma proteção grande para o profissional de saúde na hora em que ele está fazendo um procedimento, na hora e em que ele está atendendo. E, além disso, ela protege a máscara, que é a N95, que estamos tendo falta dela. Tem pouca máscara. Com essa proteção, a gente tem capacidade de reutilizar essa máscara por um tempo maior’.”

Ainda neste campo, a dupla de engenheiros Cristian Fracassi e Alessandro Ramaioli, da startup italiana Isinnova, estão produzindo réplicas de válvulas para respiradores impressas em máquinas 3D. A startup tem oferecido ao hospital em Chiari as válvulas gratuitamente; Fracassi afirmou a Forbes que o custo para imprimi-las é de US$ 2 a US$ 3 cada uma e Isinnova tem capacidade para produzir cerca de 100 peças por dia. Além disso, assim como as máscaras FaceShield, o arquivo para impressão foi disponibilizado para download e permite que qualquer maker ou fablab produza as válvulas.

De acordo com o site da startup, o time italiano já está pensando em uma nova solução impressa em 3D na luta contra pandemias. Sugerida pelo médico-chefe do Hospital Gardone Valtrompia, Renato Favero, que entrou em contato com a Isinnova, a ideia é usar máscaras de mergulho — com um adaptador impresso em 3D — para suprir a falta de máscaras CPAP. Por usar uma máscara específica, produzida pela rede francesa Decathlon, a startup italiana entrou em contato com a rede de varejo, que disponibilizou o arquivo original da Easybreath, permitindo que fosse feito uma “engenharia reversa”. Mesmo sendo um produto importado, a máscara produzida pela Decathlon chega a ser mais barata do que algumas máscaras médicas para respiradores.

Já no campo digital, em colaboração com o Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, o Departamento de Energia dos EUA e muitos outros, a IBM está ajudando a lançar o “COVID-19 High Performance Computing Consortium”, que trará uma quantidade sem precedentes de poder de computação — 16 sistemas com mais de 330 petaflops, 775.000 núcleos de CPU e 34.000 GPUs — para ajudar pesquisadores de todo o mundo a entender melhor o Covid-19, seus tratamentos e possíveis curas.

Como os supercomputadores podem nos ajudar a combater pandemias? Esses sistemas de computação de alta performance permitem que pesquisadores executem um número muito grande de cálculos em epidemiologia, bioinformática e modelagem molecular. Esses experimentos, que levariam anos para serem concluídos, se fossem trabalhados manualmente, ou meses, se realizados em plataformas de computação tradicionais, são feitos em um período mínimo em momentos que o tempo é essencial na luta contra pandemias.

Um exemplo disso é o IBM Summit, considerado o supercomputador mais poderoso do planeta, que já permitiu que pesquisadores do Laboratório Nacional de Oak Ridge e da Universidade do Tennessee selecionassem 8.000 compostos para encontrar aqueles com maior probabilidade de se ligarem à principal proteína de “pico” do coronavírus, impossibilitando a infecção das células hospedeiras. Eles foram capazes de recomendar 77 compostos promissores de moléculas, que agora podem ser testados experimentalmente.

27 de março de 2020

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