AMSTERDÃ

Em um canal localizado no norte de Amsterdã (Holanda), um novo bairro está se formando sobre a água. O objetivo desse projeto, chamado Schoonschip, é criar um bairro flutuante, com economia circular e resiliente. Segundos os criadores, essa é uma forma de construir novas moradias com pouco espaço disponível na cidade.

“As cidades estão crescendo, e todos estão construindo prédios e arranha-céus, mas há muita área tomada por água nas cidades e fazer o uso disso é uma solução inteligente”, diz Sascha Glasl, co-fundador da Space & Matter, o escritório de arquitetura que desenvolveu a ideia. O projeto também pode funcionar como inspiração para a construção de novas casas com baixa pegada ambiental e mostra como os bairros de outras cidades podem ser reconstruídos para lidar com o aumento do nível do mar.

Cada casa tem painéis solares no telhado e uma bateria no porão. As casas são conectadas a uma rede, para que os vizinhos possam trocar energia quando uma família precisa de eletricidade e outra possui energia extra. Embora seja algo novo para Amsterdã, esse tipo de rede, que é rastreada por blockchain, foi testado em países como a Austrália, a Espanha e a Estônia. A micro-rede entre as casas também se conecta à rede da cidade, de modo que a energia extra produzida pelas casas também pode ser usada em outros lugares.

“Há cerca de 110 pessoas vivendo nesta comunidade, mais crianças, e essa é uma boa escala para que o governo possa ver se essa é uma solução para ser usada, futuramente, em uma escala maior”, diz Sascha.

As casas têm telhados verdes, onde os moradores podem cultivar alimentos ou outras plantas. Eles também coletam água da chuva, usada para em vasos sanitários ultra-eficientes. Um coletor solar de água quente se conecta a equipamentos como um chuveiro de recirculação, que faz a limpeza da água em um ciclo para economizar recursos hídricos e energia. As águas residuais dos banheiros são tratadas em uma biorrefinaria que a utiliza para produzir mais energia. O calor provém de um sistema que funciona como uma bomba geotérmica e o extrai do canal.

Esse é um modelo que pode ser usado em cidades costeiras que já enfrentam enchentes. Em teoria – porque as casas são construídas fora do local e depois rapidamente rebocadas – uma versão do projeto também pode ser usada em desastres.

“Se acontece um desastre em alguma área e a cidade tem essas casas em estoque, de um dia para o outro, um bairro pode surgir”, diz Sascha.

O custo das casas varia de aproximadamente 300.000 a 800.000 € (cerca de R$ 1.350.000 a R$ 3.600.000). Embora a construção de casas flutuantes possa ser mais cara devido à engenharia envolvida, Sascha diz que também é possível criar moradias populares dessa forma.

Para conhecer melhor o Schoonschip, confira um vídeo produzido pelo canal Amsterdam Bicycle Streetview:

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9 de setembro de 2019

CONHEÇA ESSE BAIRRO FLUTUANTE SUSTENTÁVEL QUE ESTÁ TOMANDO AS ÁGUAS DE AMSTERDÃ

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