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Nos últimos dias, Jeff Bezos — criador da Amazon e uma das pessoas mais ricas do mundo — anunciou o lançamento de um fundo de US$ 10 bilhões para combater mudanças climáticas. Com o aporte inicial vindo da fortuna de Bezos, a “Bezos Earth Fund” irá focar os investimentos em soluções para combater as mudanças climáticas, auxiliando cientistas, ativistas, organizações e, nas palavras do bilionário, “quaisquer projetos que ofereçam ao mundo uma possibilidade real de preservação.” A verdade é que, Bezos nem terminou o anúncio da nova fundação, já tinha muita gente dizendo o que poderia ser feito com o dinheiro. Afinal, necessidades não faltam, mas quais serão os próximos passos?

O copo meio vazio: US$ 10 bilhões não é nada

Com patrimônio líquido estimado em US$ 130 bilhões, o aporte inicial de Jeff Bezos representa 7,7% de sua riqueza. Na opinião de alguns especialistas, o bilionário ajudaria mais se enfrentasse setores de indústrias poluentes, do que a simples criação de um fundo. Em declaração para o The Guardian, Bill McKibben, fundador da 350.org (movimento internacional focado em energia renovável), afirmou que “é necessário enfrentar de frente o setor de combustíveis fósseis – e o setor financeiro que o apóia.” Ele completa, “se um plutocrata estivesse disposto a fazer isso, seria uma interessante batalha de titãs.”

Outras opiniões contrárias ao fundo afirmam que Jeff Bezos deveria utilizar o dinheiro para pagar mais impostos e melhores salários na Amazon. Além de encerrar as parcerias com o setor de petróleo e gás (atualmente a empresa fornece serviços de computação em nuvem para BP e Shell – veja o vídeo abaixo, em inglês). Segundo o site da empresa, “[com os serviços da Amazon] empresas de petróleo e gás podem acelerar a transformação digital, desencadear inovações para otimizar a produção e a lucratividade e aprimorar as eficiências operacionais e de custos necessárias para competir sob as pressões do mercado global de energia atual.”

O copo meio cheio: US$ 10 bilhões é muito

A doação de Bezos já é considerada a terceira maior doação filantrópica do século nos EUA. Bezos fica atrás apenas de Helen Walton (falecida em 2019, era esposa e herdeira de Sam Walton, fundador da rede varejista WalMart) e, em 2007, doou US$ 16.4 bilhões para a Walton Family Foundation; e Warren Buffett, que possui uma lista gigantesca de doações individuais, entre elas, a maior do século: US$ 36.1 bilhões para a Bill and Melinda Gates Foundation, em 2006 (feito em pagamentos anuais). Das 10 maiores doações do século, 4 são de Buffett e somam US$ 42.3 bilhões.

Além disso, Bezos pode criar um impacto significativo no setor de energia limpa e na proteção de florestas. De acordo com a professora Elizabeth Robinson, da Universidade de Reading,”US$ 10 bilhões podem ter um impacto real [em países em desenvolvimento]. Esses países estão sob pressão para reduzir a pobreza e crescer economicamente, e estão usando energia suja para fazer isso. Portanto, seria útil encontrar uma maneira de se desenvolver sem usá-las.” Ainda de acordo com Elizabeth, o combate à mudança climática não é só sobre dinheiro, “é sobre ter um compromisso também.”

Imagem Destaque: kampong studio/Shutterstock

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